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Simpósio de Ciências Forenses do Noroeste Paulista tem casa cheia em sua 3ª edição

A noite de quinta-feira, 27 de agosto, marcou mais uma edição do SIMFOR – Simpósio de Ciências Forenses do Noroeste Paulista. Realizado na Câmara Municipal de Jales, o evento chegou à sua terceira edição reunindo acadêmicos, profissionais e interessados em uma área que desperta cada vez mais atenção dentro e fora do ambiente universitário: as Ciências Forenses.

Organizado pelos acadêmicos do 2º semestre dos cursos de Biomedicina e Farmácia do Centro Universitário de Jales, sob a orientação do Prof. Dr. Adônis Coelho, o III SIMFOR teve casa cheia e proporcionou uma noite dedicada ao conhecimento científico aplicado à investigação criminal. Nesta edição, as palestras abordaram dois importantes campos da área: a Balística Forense e a análise do DNA como ferramenta capaz de contribuir para a compreensão e reconstrução de fatos relacionados a cenas de crime.

Abrindo a programação, o perito criminal João Guilherme Faggin Brigatti ministrou a palestra “Balística Forense”, apresentando ao público aspectos de uma das áreas mais conhecidas da investigação técnico-científica. Bacharel e licenciado em Ciências Biológicas e atuante como perito criminal, o palestrante compartilhou conhecimentos relacionados ao trabalho pericial e à utilização da balística na análise de ocorrências envolvendo armas de fogo.

A Balística Forense permite estudar elementos relacionados aos disparos, às armas, munições e aos vestígios encontrados em uma investigação. Por meio de análises técnicas, é possível estabelecer relações entre evidências encontradas em uma cena e os acontecimentos investigados, oferecendo informações que podem colaborar para a reconstrução da dinâmica de um crime e para o esclarecimento dos fatos.

 Na sequência, a Dra. Denise Poltronieri Martins apresentou a palestra “A história contada pelo DNA: vestígios e rotina forense”, levando aos participantes uma abordagem voltada à Genética Humana e à utilização de materiais biológicos no contexto das perícias. Bióloga pela FAECA – Dom Bosco, mestre e doutora em Ciências da Saúde com ênfase em Genética Humana pela FAMERP, Denise também é professora na pós-graduação de Perícia Forense Multidisciplinar da instituição e atua como auxiliar de necropsia da Polícia Técnico-Científica de São Paulo.

 Durante sua participação, a palestrante trouxe para o centro da discussão um dos recursos que transformaram profundamente a investigação criminal nas últimas décadas: o DNA. Vestígios biológicos encontrados em diferentes contextos podem fornecer informações importantes para uma perícia e, quando coletados, preservados e analisados adequadamente, contribuem para estabelecer vínculos, excluir hipóteses e auxiliar na identificação de pessoas. Dessa maneira, aquilo que muitas vezes é imperceptível a olho nu pode assumir papel decisivo na busca por respostas científicas.

Além de aproximar os participantes de duas importantes especialidades da área, a terceira edição do SIMFOR reforçou a importância da integração entre diferentes campos do conhecimento. Biologia, Genética, Química, Medicina, Física e outras áreas podem se encontrar dentro de uma investigação, demonstrando aos acadêmicos que a atuação forense exige não apenas domínio técnico, mas também método, responsabilidade e rigor científico.

 A realização do simpósio também proporcionou aos estudantes uma experiência que ultrapassa os conteúdos trabalhados em sala de aula. Ao participarem da organização de um evento científico e terem contato com profissionais que vivenciam a rotina pericial, os acadêmicos puderam conhecer novas possibilidades de atuação e compreender, na prática, como conhecimentos adquiridos durante a formação superior podem ser empregados em diferentes contextos profissionais.

 Ciência a serviço da busca por respostas

 As Ciências Forenses constituem um campo interdisciplinar dedicado à aplicação de conhecimentos e métodos científicos na análise de questões relacionadas principalmente às investigações e aos processos judiciais. Em vez de depender exclusivamente de relatos ou interpretações subjetivas, a atividade forense busca nos vestígios elementos capazes de oferecer informações tecnicamente fundamentadas sobre determinado acontecimento.

Esse universo reúne diferentes especialidades. Análises de DNA e outros materiais biológicos, impressões digitais, balística, toxicologia, exames químicos, fibras, documentos e inúmeros outros vestígios podem se transformar em objetos de investigação científica. Cada evidência exige procedimentos próprios de coleta, preservação, análise e interpretação, sempre com atenção à confiabilidade dos resultados e à integridade do material examinado.

É justamente nessa diversidade que está uma das principais características das Ciências Forenses: diferentes áreas científicas trabalham de maneira complementar para responder perguntas. Um vestígio pode ajudar a identificar uma pessoa; outro, indicar uma possível trajetória; enquanto diferentes análises, quando confrontadas, podem contribuir para reconstruir circunstâncias e testar hipóteses levantadas durante uma investigação.

 Mais do que o universo popularizado por filmes e séries policiais, portanto, a Ciência Forense envolve método, pesquisa, tecnologia e responsabilidade. Seus resultados podem auxiliar tanto na produção de elementos relevantes para responsabilizações quanto na exclusão de suspeitas que não encontram respaldo nas evidências analisadas. É nesse encontro entre ciência e Justiça, em que os vestígios são transformados em informações objetivas, que o trabalho forense contribui para a busca pelo esclarecimento dos fatos.

Com auditório cheio e duas perspectivas distintas sobre esse amplo campo de atuação, o III SIMFOR encerrou sua programação reafirmando a proposta que acompanha o evento desde sua criação: aproximar universidade, ciência e prática profissional, despertando nos acadêmicos novos olhares sobre as possibilidades existentes dentro das Ciências Forenses.


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