Quando o Medicamento Deixa de Ser Remédio
Nesta semana, foi celebrado, no dia 5 de maio, o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos. Em uma sociedade moderna, na qual cada vez mais o consumo de medicações é vendido como solução para problemas, devemos sempre ficar atentos ao que, de fato, os medicamentos fazem e em quais cenários eles realmente nos beneficiam como indivíduos e como sociedade.
Medicamentos nem sempre são remédios. Essa distinção pode parecer estranha para aqueles que não vivem a realidade da profissão farmacêutica, mas é fundamental para compreendermos nossa saúde. Tudo o que pode nos trazer algum alívio ou solução para a saúde pode ser considerado um remédio: abraços, uma boa alimentação e caminhadas, por exemplo.
O medicamento, por outro lado, é um composto químico industrializado que busca atingir os mesmos objetivos de melhora do estado de saúde. No entanto, isso nem sempre acontece. Para o uso adequado de um medicamento, é necessário avaliar se nove parâmetros estão corretos: o paciente, o medicamento, a dose, a via de administração, o horário, o registro, a forma farmacêutica, a resposta/monitoramento e a orientação.
Cada vez mais têm sido buscados medicamentos sem registro ou utilizados de maneira equivocada. Inclusive, o uso incorreto é o motivo mais frequente de hospitalização relacionada a medicamentos no Brasil. Aos poucos, estamos transformando os medicamentos não mais em remédios, mas em venenos, por livre e espontânea vontade.
Nesta semana tão especial, precisamos refletir seriamente se a solução para os nossos problemas de saúde pode realmente passar por atalhos e se estamos preparados para lidar com os perigos que esses atalhos envolvem, porque, muitas vezes, eles não nos levam para mais perto de uma saúde plena.

