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Vivenciei a FLIP 2017
02/08/2017

Professora Kátia Juliara Cassuchi Bigulin - Unijales
Participar da Feira Literária Internacional de Paraty – FLIP 2017 ocorrida entre os dias 26 a 30 de julho, foi uma experiência única. Durante os dias que passei nesta cidade rica de história e tradição, respirei cultura de diversas formas a cada passo que dei. Por todos os cantos só encontrava poesia, música, teatro, livros e muitos escritores e artistas. É sem dúvida, um evento grandioso pela quantidade de grandes nomes, discussões, riqueza literária, cultural e humana.
“Triste Fim de Policarpo Quaresma, e da ética, do respeito, da verdade...” foi tema da Casa Folha FLIP 2017. O início do título cita a principal obra do escritor homenageado do ano, Lima Barreto. Autor carioca, patriota, exaltador da cultura brasileira, mas derrotado pelos seus sonhos.
A Casa Folha trouxe também o Dr.Drauzio Varella para falar sobre o fim de sua trilogia com o livro “Prisioneiras”. Sala lotada, plateia atenta e participativa. Os relatos e as colocações feitas por ele proporcionaram ao público uma profunda reflexão. Durante um questionamento sobre diferenças entre homens e mulheres, Dr.Drauzio lançou a afirmação mais marcante da discussão “mulher tem mais liberdade sexual na cadeia”, causando polêmica e discussões extremamente produtivas. Nas suas explanações, demonstrou a riqueza do trabalho que desenvolveu junto aos presídios durante 28 anos, fato que enaltece sua figura como médico compromissado com seus ideais deixando evidente o profundo respeito que ele tem pelo ser humano. Foi muito aplaudido.
A mesa mais marcante, dentre as que assisti, pelo fato de fomentar discussões acaloradas, aconteceu no Auditório da Praça. Intitulada “A pele que habito”, teve a participação do ator e escritor Lázaro Ramos que lançou seu livro “Na minha pele”, retratando sua história de luta contra o racismo. Nesta mesa, uma senhora se levantou e pediu para dizer algumas palavras. A professora Diva Guimarães, de 77 anos, negra, contou sem conter a emoção a sua história, levando todos os presentes inclusive o ator, às lágrimas. A senhora encerrou seu relato dizendo, “Sou uma sobrevivente pela luta e pela educação”. Dona Diva foi ovacionada e considerada a musa da FLIP 2017, merecidamente.
A cidade de Paraty foi tomada por sentimentos e por buscas que existiam na vida de Lima Barreto e de tantos artistas negros e mulheres, procurando nesta edição de 2017, uma proposta inclusiva. Para tanto, 30% dos autores convidados eram negros e a maioria nos palcos era de mulheres. Nesta linha, as discussões que permearam a maioria das mesas, foram direcionadas para a busca por ética, respeito e verdade que se perderam nestes tempos de intolerância.
Agora, é o momento de refletir sobre os temas desta feira de 2017. E que venham mais e mais feiras, proporcionando o espetáculo mágico da literatura. Vamos aguardar a FLIP 2018.

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